12.5.10

PLANEJAMENTO DO PROJETO DE ESTÁGIO

Quando iniciei o planejamento de meu projeto de estágio muitas perguntas vieram à mente: Quero mudar minha prática, mas como? Preciso conhecer cada aluno, mas como fazê-lo numa turma grande? Como é possível trabalhar de maneira diferenciada, estimulando o crescimento de meus alunos? Como articular os conhecimentos necessários à minha proposta de projeto?...

Essas perguntas e muitas outras surgem quando nos defrontamos com a questão de mudar nossa prática educativa. Acredito que as respostas não podem existir em forma de receitas para serem distribuídas a todo o mundo.

Se quiser uma educação mais diversificada e individualizada, precisarei descobrir minhas respostas!

O processo é contínuo e envolve mudanças constantes: de atitude, de posicionamento, de conhecimento, de prática. Envolve autocrítica, análise e avaliação constantes. É preciso repensar a prática objetiva e subjetivamente. Cada passo avançado requer consolidação e aceitação interior. Um avanço superficial, sem segurança, não é um avanço real. Ao mudar a prática sem ter absorvido intimamente as convicções e as razões para essa mudança, não suportaremos as críticas dos pais, os comentários dos colegas, nem mesmo, as perguntas dos alunos. Mudanças sem embasamento teórico e convicção pessoal geram insegurança, insatisfação e frustração.

Portanto, a atitude interior, acreditar no que está propondo, é muito mais importante do que a prática exterior, pois é somente através da crença de um bom trabalho, que dará resultados, que auxiliará a alcançar os objetivos propostos é que está a chave do sucesso de um planejamento inovador e diferenciado.

5.11.09

Alfabetização e sucesso escolar

Quando iniciamos o questionamento acerca do fracasso escolar ocorrido na fase inicial de escolarização, ou seja, na alfabetização, muitas vezes temos a tendência de "culpar" os próprios alunos: desestrutura familiar, carências culturais, desinteresse e/ou núcleo social.

Diferentes métodos já foram adotados e também responsabilizados por esse insucesso.

Contudo, continuamos buscando explicações e alternativas de superação.

Então, podemos destacar a importância do trabalho de Emília Ferreiro e Ana Teberoski, com a Psicogênese da Língua Escrita, em que nos mostram o quanto as crianças são intelectualmente ativas no processo de interação com a escrita e a leitura, formulando suas próprias hipóteses quando estas se tornam alvo de seu interesse e desejo.

Podemos então enfatizar o importante papel do professor em favorecer situações de estímulo às trocas entre os pares e envolvimento dos alunos para então desenvolver interesse e desejo de aprender.

Ainda não conseguimos erradicar a repetência e o fracasso escolar, no entanto, se conseguirmos, enquanto educadores, responsabilizarmo-nos com o estímulo à leitura e escrita, tornando esses momento situações prazerosas e divertidas, em que haja uma real interação dos alunos, acredito que muito avançaremos e possibilitaremos a felicidade e sucesso de um número muito maior de crianças.

LIBRAS

Na semana passada estava em casa assistindo a um episódio de Cold Case, seriado policial exibido no Warner Channel e deparei-me com um crime ocorrido em uma escola para pessoas surdas.

Não vou ater-me aos detalhes do episódio, contudo não posso deixar de chamar a atenção para as pessoas que conviviam naquela comunidade surda.

Pude acompanhar questões de relacionamento, situações diárias como as que foram relatadas na aula presencial de LIBRAS – campainhas luminosas, o uso de mensagens no celular, o toque para chamar a atenção da pessoa surda.

Outro tema bastante abordado referia-se ao romance entre um surdo e uma menina ouvinte e os preconceitos que ambos enfrentaram.

Achei muito interessante uma frase dita por um dos personagens surdos do seriado que afirmou:

- Eu ouço o mundo com os olhos!

Tentei realizar um exercício de imaginação no qual tivesse que ouvir o mundo com os olhos e quais associações seriam possíveis. Não obtive muito sucesso, no entanto acredito que as pessoas que possuem alguma limitação ou deficiências de qualquer natureza, buscam estratégias compensatórias a fim de concretizarem de maneira mais eficiente sua relação com o mundo.

Necessidades Educacionais Especiais

Ao realizar o estudo da história da Educação dos Portadores de Necessidades Educacionais Especiais no Brasil podemos compreender um pouco mais a realidade atual e como ela configurou-se.

Percebemos que somente a partir da década de 50 é que são criadas as chamadas Classes Especiais no Brasil, com a proposta de educar os alunos com deficiência mental, visto que até então o isolamento e a segregação eram as medidas adotadas.

Chama a atenção o encaminhamento dos alunos à essas classes, já que a real intenção continuava sendo a segregação, ou seja, eram criados espaços para os que não ajustavam-se adequadamente ao ambiente escolar.

A ênfase ainda era aos alunos com deficiências mentais, sem preocupação com deficientes físicos, visuais ou auditivos.

Ainda hoje, é possível encontrar Classes Especiais na rede estadual de ensino de Porto Alegre, o que só dificulta a real inclusão dos portadores de necessidades educacionais especiais que continuam excluídos em turmas de "iguais", impossibilitando o desenvolvimento de múltiplas habilidades que são proporcionadas com a convivência e o respeito às diferenças.

Cabe ainda ressaltar que a inserção desses alunos na rede regular não garante o fim do preconceito e da real inclusão, afinal, somente com estudos e debates francos e subsidiados teoricamente favoreceremos um trabalho de qualidade com respeito ao desenvolvimento cognitivo e social desses estudantes.

21.10.09

Alfabetização de Jovens e Adultos

Ao lermos o texto da Regina Hara podemos perceber as semelhanças no processo de alfabetização de crianças, jovens e adultos.
Todos passam pelas etapas ou níveis de alfabetização.
Daí a grande dificuldade que algumas pessoas encontram ao trabalharem com essa modalidade de ensino. Acreditam que é simplesmente modificar um pouco o vocabulário e continuar aplicando o mesmo tipo de atividades que são utilizadas com as crianças.
No entanto, esquecem do papel socializados e político da educação, especialmente de jovens e adultos.
Esses alunos já possuem uma grande experiência de vida e histórias pessoais muito marcantes. A grande maioria não pode estudar na idade correta por dificuldades econômicas, de acesso à educação ou principalmente pelo papel excludente de nosso atual sistema de avaliação.
O profissional que opta em trabalhar com jovens e adultos deve considerar essa situação e deve trabalhar levando em conta a politização e o estímulo do senso crítico de seu aluno.
Deve possibilitar ao aluno a relação entre o que é estudado na escola e suas situações cotidianas.
Não podemos esquecer que essa também é uma função dos educadores que trabalham com crianças, no entanto é extremamente pertinente ao trabalho com os adultos.