4.12.10

EIXO 3

A palavra para definir o eixo 2 é PRAZER!!!

Prazer em estudar, aprender, ensinar...

A interdisciplina de Literatura nos auxiliou bastante na exploração de diferentes técnicas para exploração literária, além das tipologias textuais. Apreciamos tanto o trabalho que até mesmo criamos um grupo que teve vários encontros para contação de histórias, ou seja, nos reuníamos entre colegas para contar e ouvir histórias infantis.

Complementando a literatura brincamos bastante na interdisciplina de Ludicidade. Em aulas totalmente interativas pudemos comprovar que o brincar implica uma relação cognitiva e representa a potencialidade para interferir no desenvolvimento humano, além de ser um instrumento para a construção do conhecimento. Como afirmam as autoras:

Brincar exige troca, de pontos de vista, o que leva a criança a observar os acontecimentos sob várias perspectivas, pois sozinha ela pode dizer e fazer o que quiser [...] mas, num grupo, diante de outras pessoas, percebe que deve pensar aquilo que vai dizer, que vai fazer, para que possa ser compreendida (SMOLE, DINIZ, CÂNDIDO, 2000a, p. 14).

Colocamo-nos, então, como aprendizes ensinantes enquanto brincávamos e depois utilizamos essa experiência extremamente rica em nossas turmas e relatávamos essas experiências nos Fóruns do ROODA.

Dentre as atividades mais significativas do semestre destaco a criação e elaboração do Inventário Criativo, que integrava perfeitamente as interdisciplinas do eixo, com enfoque especial ao Teatro, Literatura, Ludicidade e Artes Visuais.

EIXO 2

O eixo 2 foi de extrema expectativa da minha parte, afinal como trabalho com alfabetização e teríamos a interdisciplina de Fundamentos da Alfabetização, acreditava que possibilitaria a discussão e aprendizagem de inúmeras questões que ainda hoje me angustiam.

Lembro-me com clareza da aula inaugural da interdisciplina em que a professora nos apresentou um alfabeto árabe e nos fez "ler" palavras, fazendo a correspondência entre letras e figuras. O objetivo era nos relembrar a etapa tão importante e difícil de alfabetização a qual todos nós já passamos há muito tempo. Senti-me realmente analfabeta e pude colocar-me no lugar de meus alunos em seus primeiros dias escolares.

Dentre as principais aprendizagens, destaco os estudos sobre alfabetização, em especial com o estudo do livro: A psicogênese da Língua Escrita, de Emília Ferreiro e Ana Teberoski, especialmente a testagem que fizemos com um de nossos alunos, assim como a discussão desse teste com nossos colegas, professores e tutores.

A interdisciplina de Psicologia I, complementou o semestre pois nos ajudou muito a compreender sobre o desenvolvimento cognitivo de nossos alunos, com o estudo sobre as principais linhas psicológicas, com destaque para o estudo sobre Freud – assistimos a um filme sobre sua vida onde pudemos visualizar melhor sua técnica de terapia com sua fase hipnótica e posterior com a análise dos sonhos.

Revisando as atividades desenvolvidas durante o semestre, destaco a criação de nosso primeiro pbworks, com a criação da página da nossa sala de aula. Lembro-me das dificuldades que enfrentei para realizar essa atividade, afinal na época trabalhava em uma escola que atende os internos cumprindo medidas sócio-educativas, portanto, não existe uma "sala de aula" nos moldes convencionais, que conhecemos e concebemos. A sala que tínhamos ou era totalmente gradeada e desprovida de qualquer recurso visual/material, ou era o refeitório dos adolescentes, com aquelas mesas compridas de fórmica...

Contei com a ajuda de minha maravilhosa amiga e comadre Patrícia que me cedeu sua sala de aula e permitiu que fizesse meu trabalho baseado nessa sala.

Outra atividade importantíssima foi a de entrevistas que realizamos com nossos alunos e seus familiares. Foi muito difícil conseguir criar os gráficos e fazer a tabulação dos dados recolhidos. Recordo da surpresa que tive ao constatar que as brincadeiras preferidas das crianças não haviam mudado muito com relação à de seus pais.

27.11.10

EIXO 1

Ao iniciar a leitura de meu blog para fazer a análise em um primeiro momento fiquei bastante emocionada, afinal, ali está o registro de toda a caminhada do PEAD.

Recordei o primeiro dia de aula, quando criamos nossos blogs e colocamos nossas fotos, que foram tiradas lá mesmo pelas tutoras e professoras. Lembrei o quanto foi difícil aquele primeiro momento, o sentimento de insegurança diante do novo, o quanto estávamos extremamente ansiosas e inseguras, afinal um curso à distância estava recheado de pré-concepções e falsas idéias.

Várias pessoas pensaram em desistir, diante daquele primeiro contato com o computador e diversos novos conceitos e termos: blogs, e-mail, ROODA, redes de interação, TIC'S,... Enfim, um novo Universo estava diante de nós!

As primeiras postagens de meu blog são imensamente supérfluas, ou melhor, informativas e desconexas ao que realmente estava acontecendo em minha trajetória enquanto professora e estudante. Percebo que utilizei muito o blog para postagens de boas-vindas, bom final de semana, ou para realizar atividades solicitadas nas interdisciplinas, especialmente ECS – Escola Cultura e Sociedade, que foi uma interdisciplina que nos levou a refletir sobre os tipos de escola que tínhamos a partir de modelos sociológicos (GABRIELA PEAD: ECS 6 - WEBER II), além de termos estudado e discutido diversos sociólogos, que apesar de "antigos" nos trazem ideais bastante contemporâneos.

Outra interdisciplina de extrema importância nesse eixo foi Educação e Tecnologia da Informação e Comunicação que cumpriu um importantíssimo papel, nos desafiando a explorar as ferramentas tecnológicas e a cumprir tarefas, naquele momento, talvez impossíveis. Destaco a confecção do Jornal Virtual que foi uma das atividades de maior complexidade deste Eixo visto que não tínhamos domínio quase algum das possibilidades tecnológicas que hoje, acredito, estejam bastante alicerçadas em nossa prática cotidiana e profissional. Uma atividade que auxiliou nesse momento de descoberta e procura de significados, foi a visita a diversos sites e blogs educacionais proposto por essa interdisciplina em uma das atividades.

Não poderia deixar de destacar o Seminário integrador, na presença das professoras Bia e Íris, que nos auxiliou e muito nos primeiros passos assim como nos fortificou e impediu que desistíssemos diante das inúmeras dificuldades encontradas. Destaco especialmente a atividade de descrição pessoal que realizamos de nossas vidas pessoais e profissionais (GABRIELA PEAD: Atividade 1)

23.6.10

O trabalho em pequenos grupos

Um grupo é constituído de diferentes pessoas que se movimentam em torno de necessidades comuns em busca de um objetivo específico. Nesta busca troca-se o "sentar junto", numa forma espacial, por ser membro participante e um grupo. Isto é, assumir-se como participante, exercendo sua fala, sua opinião, seu silêncio e defendendo seus pontos de vista.

Num grupo, mesmo que todos os membros estejam em busca de um objetivo comum, cada um é um ser diferente, tendo sua própria identidade. É nessa prática diferenciada que cada sujeito vai projetando o Outro dentro de si.

Segundo Wallon, o indivíduo é um ser geneticamente social: "Somos gente porque somos habitados por um Outro, que é gerado no pertencimento a grupos. O Outro é a nossa identidade, criado porque dispomos de um sistema de representação". São as experiências grupais com os outros que dão vida e consistência ao Outro que nos faz pessoa.

Desmistificando o trabalho em grupo como algo que objetiva apenas a socialização, enfrentamos um desafio maior que é a "construção do grupo" e sua real função no processo de aprendizagem.

Em minha turma o processo de construção dos grupos ocorreu a partir do embasamento da proposta de formação de "grupos áulicos", elaboradas pelo GEEMPA.

Após um pequeno período quando as crianças tiveram a oportunidade de agrupar-se livremente, para um primeiro conhecimento social, foi proposta a formação de grupos diferentes e permanentes por um determinado período.

Discutimos então, o papel do chefe de grupo, uma vez que este é um elemento importante que coordena o grupo sem exercer autoritarismo.

Normas como estas caracterizam para as crianças a função de chefe do grupo:

"- Não mandar nos outros e nem brigar."

"- Cuidar que um grupo não fale muito alto para não atrapalhar os outros."

"- Ser amigo de todos."

Partimos então para a escolha dos chefes dos grupos. Foi realizada uma votação oralmente, em que eu servi de escriba para os alunos, escrevendo os nomes dos votados e quantidade de votos no quadro. Cada um escolheu aquele colega que gostaria que fosse o chefe de seu grupo. Sabe-se que nessa faixa etária, a afetividade está bastante presente, e que a criança ainda não tem critérios estabelecidos sobre perfil de chefe de grupo, apesar de ter sido trabalhado. Sendo assim, suas escolhas na maioria das vezes recai em alguém com quem se relacione melhor em sala de aula.

Dando continuidade ao processo, após todos votarem, fizemos a contagem. Os alunos mais votados, na verdade os cinco mais votados (formamos 5 grupos de 5 alunos) escolheram entre os demais, aquele que gostariam que pertencesse ao grupo.

A escolha continuou agora em duplas, e assim sucessivamente.

É interessante como as crianças surpreendem! Na lógica do professor, os alunos iriam aceitar o convite de participação. Entretanto, houve crianças que disseram não a alguns convites, preferindo participar de outro grupo. É o exercício da democracia e da livre escolha acontecendo.

Grupos formados, a tarefa seguinte é a escolha dos nomes dos grupos. Entusiasmadas, chegam a um acordo e expressam a todos o nome do grupo e o porquê da escolha:

- Grupo Ben10 – porque é nosso desenho favorito;

- Grupo Coração – o coração é bonito e é nossa vida;

- Grupo Poderosas – porque somos fãs da Meninas Super Poderosas;

- Grupo do Grêmio – porque somos todos gremistas;

- Grupo Amizade – porque somos todos amigos;

Os grupos não são estáticos, ao longo do ano letivo, ocorrem novas eleições.

O trabalho em grupo possibilita que cada criança com sua individualidade, pertença a um coletivo, no qual tem um papel a desempenhar.

É através do diálogo, da socialização do saber e das trocas que se dá a aprendizagem.

16.6.10

Reconstruindo o papel do livro de histórias

Meu projeto de estágio está baseado principalmente na leitura e exploração de livros de literatura infantil.

Ler e contar histórias são atividades sempre presentes em meu trabalho enquanto professora. Enquanto lemos uma história, do interesse da criança podemos perceber como ela fica atenta e solicita que a contemos diversas vezes.

Esse encantamento pelas histórias justifica-se pelo fato de que as crianças vivenciam sentimentos e emoções passadas através das personagens. Os contos de fadas têm a peculiaridade de transportar as crianças para um universo fantástico e, assim, tratar conflitos relacionados com abandono, competitividade, insegurança, medo, etc., trazendo sempre uma solução no final. Também, através das histórias, as crianças ampliam seus conhecimentos, pois seu enredo trata formas diferentes de pensar, agir e ser.

A literatura infantil deve proporcionar à criança acesso àquilo que é significativo para ela neste estágio do desenvolvimento. Portanto, uma história deve: "estimular a imaginação, ajudá-la a desenvolver seu intelecto e aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir solução para os problemas que a perturbam" (BETTELHEIM, 1979).

Estes aspectos contribuem significativamente para o desenvolvimento infantil. Entretanto, há outro aspecto a ser considerado: o desenvolvimento da linguagem e da alfabetização a partir dos livros de história.

As histórias podem ser contadas ou lidas de diversas maneiras: oralmente; através de montagem com gravuras; com teatro de bonecos; através de "cineminha",...

Contudo, se quisermos desenvolver a linguagem escrita, é necessário que utilizemos o livro de histórias, lendo-o em voz alta para as crianças. É lendo que permitiremos que as crianças identifiquem a palavra escrita e descubram que se lê nas letras e não nos desenhos, como é sua hipótese inicial. Além disso, a leitura de histórias permite que as crianças diferenciem a linguagem falada da escrita.

A leitura não é apenas um hábito ou uma técnica, mas uma construção do sujeito que aprende, envolvendo seus desejos, sua inteligência, sua cultura, etc.

Referências:

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fada. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.