15.12.10

EIXO 6

Quando iniciamos a produção de nosso Projeto de Aprendizagem anterior, nos agrupamos por interesses de pesquisa e acreditamos que esse foi um dos grandes empecilhos do pleno desenvolvimento do trabalho, afinal, acreditávamos que a falta de envolvimento e amizade pessoal, dificultava a aproximação e integral domínio do trabalho. Pensávamos que se os grupos de trabalho fossem feitos por afinidades pessoais o resultado seria muito melhor, e pudemos constatar durante esse semestre que nem sempre é assim.

Neste eixo, realizamos um novo Projeto de Aprendizagem onde nos agrupamos conforme afinidades pessoais e então pudemos perceber que a dificuldade em realizar o trabalho foi a mesma, afinal o que complica não é o fato de gostarmos ou não das pessoas com as quais estamos realizando a tarefa, mas a dificuldade que temos de trabalhar efetivamente em grupo, até porque não fomos "treinadas" para isso. A grande maioria de nós foi educada em um ambiente que pouco privilegiava situações de grupo, em que todos realmente realizassem seu trabalho com autoria. Normalmente uma pessoa fazia o trabalho e as demais assinavam, ou então, o trabalho era recortado em várias parte e cada componente do grupo ficava responsável por uma delas.

Após recebermos o roteiro para análise, pudemos então refletir sobre o real objetivo deste trabalho e qual sua função no que diz respeito à autoria e ao desenvolvimento pessoal.

Ao revisitar meu projeto, pude compreender seu funcionamento enquanto visitante e não como produtora e pude então ver o quanto devemos estar atentos a esse dois olhares, afinal, um projeto que se apresenta em um local que pode ser acessado e visitado por pessoas do mundo inteiro, deve atentar para essa situação.

Então devemos ter a questão principal muito bem desenvolvida e a todo o momento esta deve ser retomada.

Devemos apresentar de maneira convidativa e atraente as páginas que compõem, ou seja, devemos estar atentas às disposições gráficas com as quais apresentaremos nosso projeto.

Contudo, precisamos estar atentos ao rumo que nosso projeto está tomando. Ao realizarmos as pesquisas temos a tendência a expandir muito o tema que está sendo estudado e tendemos em fugir da resposta real que estamos procurando.

Fazendo uma analogia simples, devemos encarar nosso PA como um produto a ser vendido a um consumidor que ainda não conhecemos e que não conhece nem o produto nem os seus proprietários.

Por essa razão, o trabalho em equipe é primordial, para que haja uma interação e cooperação real entre os participantes, que devem buscar o foco do trabalho, assim como a produção autoral do mesmo.

Acredito que o trabalho com projetos de aprendizagem tem sido o maior desafio apresentado por esse curso universitário, pois favorece a quebra de todos os paradigmas que possuímos no que se refere à educação formal, da maneira como a temos desenvolvido.

Outra atividade que merece destaque foi o filme "Entre os muros da escola", que assistimos e realizamos a análise para a confecção de nosso portfólio final. Após assistirmos ao filme deveríamos escolher uma cena que acolhesse o maior número de conceitos que foram trabalhados durante esse eixo.

O filme sugere um documentário em função de seu realismo e acredito que toque profundamente a todos que o assistem e principalmente a nós professores que vivenciamos situações iguais ou no mínimo muito semelhantes às retratadas.

A cena que escolhi para realizar a análise é a do Conselho de Classe, onde pude identificar vários conceitos trabalhados durante esse semestre, dentre eles inclusão, necessidades educacionais especiais, discriminação, estigma, princípios morais, aprendizagens, convivência, autonomia, desenvolvimento e, especialmente, conflitos.

EIXO V

"As escolas, fazendo que os homens se tornem verdadeiramente humanos, são sem dúvida as oficinas da humanidade." (Comenius)


 

Quando analiso escola com instituição pública, logo me remeto às questões relacionadas à Gestão Democrática, que tanto estudamos e debatemos durante o eixo 5 nas diversas Interdisciplinas.

Devemos pensar primeiramente, nos integrantes da escola, de todos os participantes da comunidade escolar, que fazem parte de sua história, organização e gestão. Mesmo que não participando ativamente das decisões, participam de forma efetiva da sistematização dos eventos promovidos nesta instituição.

Outro aspecto importante a ser ressaltado diz respeito aos documentos que fazem parte dessa instituição, destacando em especial, o Regimento Escolar e o PPP, conforme podemos ratificar com relato feito em meu blog (http://gabrielapead.blogspot.com/2008/11/projeto-poltico-pedaggico.html).

Devemos pensar nesses documentos como guias, como norteadores dos objetivos a serem desenvolvidos e alcançados por um grupo de pessoas, que trabalha e participa ativamente das decisões tomadas, conforme relato em meu blog das ações que temos conquistado em nossa escola (http://gabrielapead.blogspot.com/2008/11/por-que-elaborar-e-executar-um-ppp.html)

A elaboração e efetivo cumprimento e desenvolvimento destes documentos é que dá vida e personalidade à escola, enquanto espaço de transformação social e produção de conhecimento.


 

"Dizem que nós, seres humanos, somos animais racionais. Nossa crença nessa afirmação, nos leva a menosprezar as emoções e a enaltecer a racionalidade, a ponto de querermos atribuir pensamento racional a animais não-humanos, sempre que observamos neles comportamentos complexos. Nesse processo, fizemos com que a noção de realidade objetiva, se tornasse referência a algo que supomos ser universal e independente do que fazemos, e que usamos como argumento visando a convencer alguém, quando não queremos usar a força bruta." (extraído do livro "A Ontologia da Realidade" de Humberto Maturana - Ed. UFMG, 1997)


 

Os estudos realizados na interdisciplina de Psicologia da Vida Adulta, constribuiram em muito para o entendimento do desenvolvimento humano como um todo, e foram bastante enriquecidos pelas discussões de foro profissional que foram sendo realizadas nas outras interdisciplinas.

Quando fazemos a análise da escola como um espaço de convívio, não conseguimos excluir os conflitos.

Apresentamos conflitos com colegas de trabalho, de sala de aula, divergências de opiniões, autoritarismo e excesso de arbitrariedades e injustiças. Vemos decisões sendo tomadas levando-se em conta apenas aspectos pessoais, sendo desprezados as questões profissionais, assim como vemos privilégios sendo oferecidos a pessoas sem as qualificações necessárias a tal providência.

Neste eixo estávamos vivendo um momento muito difícil em minha escola, acredito que boa parte das escolas estaduais também estivesse vivendo esse impasse que foi a Greve. Essa questão trouxe à tona inúmeras dificuldades de relacionamento que até então eram mantidas em sigilo. Pudemos ver a expressão de questões pessoais misturadas às questões políticas e nos "agredimos" muito. (http://gabrielapead.blogspot.com/2008/11/greve-que-bicho-esse.html)

Segundo Maturana, 1997,

Uma cultura é, para os membros da comunidade que a vivem, um âmbito de verdades evidentes que não requerem justificação e cujo fundamento não se vê nem se investiga, a menos que, no devir dessa comunidade, surja um conflito cultural que leve a tal reflexão. Esta última é nossa situação atual.


 

Acredito que esta afirmação relacione-se diretamente à situação vivida em minha escola, onde surgiu então, um conflito cultural que necessitou ser justificado e refletido.

Retomando os estudos realizados na Interdisciplina de Psicologia afirmo que o desenvolvimento do ser humano acontece a partir de suas interações com o meio no qual vive e nas trocas que acontecem com esse meio.

Posso, portanto, afirmar que o adulto só aprende resolvendo problemas e atuando diretamente sobre eles, ou seja, pensando, formulando hipóteses, lançando soluções.

Quando iniciamos as atividades neste semestre com a proposta de um Projeto de Aprendizagem, confesso que fiquei um tanto confusa quanto a validade deste processo e sua real intencionalidade e resultado. Realizei algumas pesquisas sobre o tema e fiz postagem em meu blog sobre o assunto. (http://gabrielapead.blogspot.com/2008/11/projetos-de-aprendizagem.html)

Ao iniciarmos a abordagem do tema que seria desenvolvido por nós, realizamos uma série de questionamentos e certezas temporárias, entretanto, com o passar do tempo e dos estudos, percebemos que nossa grande dúvida inicial, na verdade estava equivocada, e modificamos seu enfoque, conforme pode ser observado em nossa página de discussões em nosso wiki (http://empatia.pbwiki.com/Discussoes).

Esse processo de ir e vir, sempre questionando e retomando as certezas que já possuímos, através de pesquisas e interações com outros membros do grupo enriquece o trabalho assim como nossas aprendizagens.

Percebo que uma grande dificuldade encontrada durante o trabalho foi, também, por mais contraditório que isso possa parecer o trabalhar em grupo. Saber ouvir, respeitar as diferentes opiniões sobre os assuntos e os diferentes ritmos de trabalho.

Contudo, nisso está, também, a grande riqueza deste processo, que não finda, afinal, quando conseguimos dirimir uma dúvida, logo surgem outras e outras certezas precisam ser comprovadas ou derrubadas. A diversidade cultural existente em nosso grupo (http://empatia.pbwiki.com/EQUIPE) em muito contribuiu para esse trabalho.

Outro aspecto relevante a ser destacado é a construção dos mapas conceituais. Percebi nossa dificuldade pessoal em inter-relacionar conceitos, primeiramente até em defini-los. No entanto, esse também é um exercício que exige aperfeiçoamento e dedicação e percebemos claramente isso ao analisarmos a produção de nosso primeiro mapa conceitual (http://empatia.pbwiki.com/MAPA+1) e o nosso mapa "final", digo isso, em função de nosso projeto ainda não estar totalmente acabado. (http://empatia.pbwiki.com/MAPA+2A)

Ao estabelecermos a conexão entre os Projetos de Aprendizagem e nossas escolas podemos prever um ambiente muito mais enriquecedor em termos de aprendizagem, afetuosidade, trocas e inter-relações.

Acredito que é uma maneira de fortalecer os vínculos profissionais e pessoais além de romper com uma ótica positivista e tradicional, onde só existe uma forma de conhecimento aceitável e que ela está presente na figura do professor.

4.12.10

EIXO 4

Durante o eixo 4 a ferramenta principal de trabalho foi o pbworks, poucas atividades e análises foram postadas no blog.

Destaco especialmente a postagem realizada como análise da apresentação e fundamentação teórica do portfólio final do eixo anterior, que teve papel fundamental na tomada de consciência da importância do registro e da análise de evidências.

Lembro da atividade da presencial de Seminário Integrador com a "análise do Lixo", digno de um episódio de C.S.I., onde tínhamos que partir das evidências e formular hipóteses e afirmações sobre os donos desse material.

A interdisciplina de Matemática nos trouxe uma gama variada de materiais e abordagens, e tivemos um intenso calendário de atividades a serem desenvolvidas. Destaque especial para as atividades on-line. É uma lástima que nesse período meus alunos ainda não tivessem acesso ao Laboratório de Informática da escola, pois muitos jogos e intervenções matemáticas poderiam ter sido feitas na prática informatizada, contudo, ainda no meu estágio tive a oportunidade de utilizar algumas ferramentas, como a Torre de Hanói, entre outras atividades sugeridas.

Na interdisciplina de Estudos Sociais, retomamos o estudo de Paulo Freire, com a releitura do livro Pedagogia do Oprimido, já estudado em outro semestre na interdisciplina de Escola, Cultura e Sociedade. Dentre as principais atividades temos o estudo sobre os Tempos, conjuntamente com o Seminário Integrador, onde fizemos uma análise quantitativa e qualitativa do uso de nosso tempo.

Mas creio que as atividades práticas propostas pela interdisciplina de Ciências Naturais foram o ponto alto do semestre, com destaque especial a atividade de Luz e Sombra. Nessa atividade foram confeccionadas diferentes figuras geométricas em papel preto e branco e fomos para o pátio da escola, fazer sombra... Testamos nossos conhecimentos e pré-conceitos sobre o assunto, o que mereceu uma postagem reflexiva em meu blog (http://gabrielapead.blogspot.com/2008/07/luz-sombra.html). A partir de atividades práticas, elaboramos o conceito de sombra, e percebo que dificilmente as crianças esquecerão esse estudo, uma vez que o vivenciaram ativamente, o que seria diferente de copiar e pensar sobre o conceito em si.

Percebo que esse é o diferencial do PEAD, a realização prática de atividades, tanto com os professores (atuais estudantes) como com a aplicação com os alunos, o que nos possibilitou estudar in loco o que realmente acontecia durante o processo de ensino-aprendizagem. Um curso totalmente voltado para a prática profissional sem esquecer ou menosprezar a teoria.

EIXO 3

A palavra para definir o eixo 2 é PRAZER!!!

Prazer em estudar, aprender, ensinar...

A interdisciplina de Literatura nos auxiliou bastante na exploração de diferentes técnicas para exploração literária, além das tipologias textuais. Apreciamos tanto o trabalho que até mesmo criamos um grupo que teve vários encontros para contação de histórias, ou seja, nos reuníamos entre colegas para contar e ouvir histórias infantis.

Complementando a literatura brincamos bastante na interdisciplina de Ludicidade. Em aulas totalmente interativas pudemos comprovar que o brincar implica uma relação cognitiva e representa a potencialidade para interferir no desenvolvimento humano, além de ser um instrumento para a construção do conhecimento. Como afirmam as autoras:

Brincar exige troca, de pontos de vista, o que leva a criança a observar os acontecimentos sob várias perspectivas, pois sozinha ela pode dizer e fazer o que quiser [...] mas, num grupo, diante de outras pessoas, percebe que deve pensar aquilo que vai dizer, que vai fazer, para que possa ser compreendida (SMOLE, DINIZ, CÂNDIDO, 2000a, p. 14).

Colocamo-nos, então, como aprendizes ensinantes enquanto brincávamos e depois utilizamos essa experiência extremamente rica em nossas turmas e relatávamos essas experiências nos Fóruns do ROODA.

Dentre as atividades mais significativas do semestre destaco a criação e elaboração do Inventário Criativo, que integrava perfeitamente as interdisciplinas do eixo, com enfoque especial ao Teatro, Literatura, Ludicidade e Artes Visuais.

EIXO 2

O eixo 2 foi de extrema expectativa da minha parte, afinal como trabalho com alfabetização e teríamos a interdisciplina de Fundamentos da Alfabetização, acreditava que possibilitaria a discussão e aprendizagem de inúmeras questões que ainda hoje me angustiam.

Lembro-me com clareza da aula inaugural da interdisciplina em que a professora nos apresentou um alfabeto árabe e nos fez "ler" palavras, fazendo a correspondência entre letras e figuras. O objetivo era nos relembrar a etapa tão importante e difícil de alfabetização a qual todos nós já passamos há muito tempo. Senti-me realmente analfabeta e pude colocar-me no lugar de meus alunos em seus primeiros dias escolares.

Dentre as principais aprendizagens, destaco os estudos sobre alfabetização, em especial com o estudo do livro: A psicogênese da Língua Escrita, de Emília Ferreiro e Ana Teberoski, especialmente a testagem que fizemos com um de nossos alunos, assim como a discussão desse teste com nossos colegas, professores e tutores.

A interdisciplina de Psicologia I, complementou o semestre pois nos ajudou muito a compreender sobre o desenvolvimento cognitivo de nossos alunos, com o estudo sobre as principais linhas psicológicas, com destaque para o estudo sobre Freud – assistimos a um filme sobre sua vida onde pudemos visualizar melhor sua técnica de terapia com sua fase hipnótica e posterior com a análise dos sonhos.

Revisando as atividades desenvolvidas durante o semestre, destaco a criação de nosso primeiro pbworks, com a criação da página da nossa sala de aula. Lembro-me das dificuldades que enfrentei para realizar essa atividade, afinal na época trabalhava em uma escola que atende os internos cumprindo medidas sócio-educativas, portanto, não existe uma "sala de aula" nos moldes convencionais, que conhecemos e concebemos. A sala que tínhamos ou era totalmente gradeada e desprovida de qualquer recurso visual/material, ou era o refeitório dos adolescentes, com aquelas mesas compridas de fórmica...

Contei com a ajuda de minha maravilhosa amiga e comadre Patrícia que me cedeu sua sala de aula e permitiu que fizesse meu trabalho baseado nessa sala.

Outra atividade importantíssima foi a de entrevistas que realizamos com nossos alunos e seus familiares. Foi muito difícil conseguir criar os gráficos e fazer a tabulação dos dados recolhidos. Recordo da surpresa que tive ao constatar que as brincadeiras preferidas das crianças não haviam mudado muito com relação à de seus pais.